02/02/12

O Português procede do Galego

No penúltimo número de Grial - Revista Galega de Cultura (191, 2011, 34-39), o linguista e professor da Universidade de Brasília, Marcos Bagno, publicou um artigo que é capaz de se transformar em referência de uma nova perspectiva sobre a história e a actualidade das variantes lusófonas: "O Português não procede do Latim: Uma proposta de classificação das línguas derivadas do galego" (cf. infra). É absolutamente destacável que um linguista brasileiro tome partido de uma ideia que desde há algum tempo deambula pelas margens da linguística, embora ainda haja poucas/os académicos que se atrevem a defendê-la em público: Que a denominação "galego-português" é um anacronismo insustentável que deve ser abolido. A evidência histórica de que as as actuais variantes lusófonas são filhas do galego requer, também,  uma reavaliação do debate em torno da Lusofonia (cf. "Galiza e a Lusofonia", 2010).
Porém, para evitar outro anacronismo, Bagno devia ter explicitado que a origem das variantes galega e portuguesas actuais procedem de um 'galego antigo', diferente do actual, mas que, em todo o caso, já tinha sido denominado como 'língua galega' na Idade Média. Tanto o seu resumo claro e conciso das argumentações histórica e linguística, como também a sua proposta de classificação das variantes lusófonas actuais (o grupo "portugalego", como propõe denominá-las, cf. imagem supra) deviam ser tomadas como base do ensino de língua e literatura lusófonas na actualidade. Para ler o artigo dique aqui:




O artigo também pode ser descarregado aqui.

4 comentários:

Anónimo disse...

Não acho esse Marcos Bagno digno de muita fé, apesar de a teoria fazer muito sentido do ponto de vista histórico. A ver outras opniões

Mário Rui Ribeiro Faria disse...

Preconceito...

Anónimo disse...

"O Português procede do Galego". Quem é que não o sabia?

Anónimo disse...

O Português não procede do Galego.

Existia uma lingua muito antiga, proveniente do latim vulgar falado pelas legiões romanas, falada no noroeste peninsular. Esta lingua não se chamava Galego, nem Português, era conhecida apenas como lingua vulgar.

Quando o centro e sul da antiga Galiza (actual norte e centro de Portugal) se tornaram independentes, a lingua falada tanto na parte independente como na parte norte (actual Galiza) continuou sem nome. Só mais tarde é que ela passa a ter um nome oficial - Português - no reino independente de Portugal.

Esse nome nunca chegou a ser oficializado na Galiza pois esta foi incorporada à coroa de Castela passando pelos chamados "Séculos Escuros", em que a língua própria foi proibida e o Castelhano foi imposto em todas as esferas da vida pública. A lingua própria da Galiza, a mesma que compartilhava com Portugal, ficou assim remetida à ruralidade e ao analfabetismo, sem a liberdade necessária ao seu desenvolvimento como teve a sul da fronteira, na Galiza independente (Portugal).

Só há relativamente pouco tempo atrás é que os Galegos começaram a tentar "recuperar" a sua língua, se é que isso é possível depois de tantos séculos. Hoje existe o que eu chamo de "Gallego", que é basicamente uma mistura do que sobreviveu após estes séculos, com o castelhano, sendo que inclusivamente utiliza a ortografia do castelhano, ao contrário do Português que utiliza a ortografia original.

Quem quiser pode chamar a essa língua antiga "Galego", por simplificação teórica, mas não era assim chamada na altura.

O descendente moderno dessa língua antiga, em toda a sua liberdade e plenitude, é o Português. Querer chamar Galego ao Português, primeiro e único nome oficial da língua partilhada entre Portugal e Galiza, que se desenvolveu dentro da independência de Portugal e não na colónia castelhana da Galiza, é um insulto.