Do 10 de Fevereiro até ao 30 de Abril de 2012, uma exposição dedicada a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos, organizada pelo
Museu da Língua Portuguesa do Brasil, vem agora à Fundação Calouste
Gulbenkian, em Lisboa (mais informação aqui):
09/02/12
07/02/12
"O acordo ortográfico é um aleijão"
O blogue Estudos Lusófonos tem resistido, até ao momento, à implementação do acordo ortográfico. Algum dia há-de claudicar, ainda que seja só por causa das necessidades didácticas do ensino de língua portuguesa. Por enquanto, aderimos ao que disse o professor Paulo Franchetti, director da editora da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), numa entrevista dada ao blogue Tantas Páginas (CLP, Universidade de Coimbra) sobre o "abstruso" acordo:
PF. O acordo ortográfico é um aleijão.
Linguisticamente malfeito, politicamente mal pensado, socialmente mal
justificado e finalmente mal implementado. Foi conduzido, aqui no
Brasil, de modo palaciano: a universidade não foi consultada, nem teve
participação nos debates (se é que houve debates além dos que talvez
ocorram durante o chá da tarde na Academia Brasileira de Letras), e o
governo apressadamente o impôs como lei, fazendo com que um acordo para
unificar a ortografia vigorasse apenas aqui, antes de vigorar em
Portugal. O resultado foi uma norma cheia de buracos e defeitos, de
eficácia duvidosa. Não sei a quem o acordo interessa de fato. A
ortografia brasileira não será igual à portuguesa. Nem mesmo, agora, a
ortografia em cada um dos países será unificada, pois a possibilidade de
grafias duplas permite inclusive a construção de híbridos. E se os
livros brasileiros não entram em Portugal (e vice-versa) não é por conta
da ortografia, mas de barreiras burocráticas e problemas de câmbio que
tornam os livros ainda mais caros do que já são no país de origem. E
duvido que a ortografia seja uma barreira comercial maior do que a
sintaxe e o ai-meu-deus da colocação pronominal. Mas o acordo interessa,
é claro, a gente poderosa. Ou não teria sido implementado contra tudo e
todos. No Brasil, creio que sobretudo interessa às grandes editoras que
publicam dicionários e livros de referência, bem como didáticos. Se
cada casa brasileira que tem um exemplar do Houaïss, por exemplo,
adquirir um novo, dada a obsolescência do que possui, não há dúvida que
haverá benefícios comerciais para a editora e para a Fundação Houaïss –
Antônio Houaïss, como se sabe, foi um dos idealizadores e o maior
negociador do acordo. O mesmo vale para os autores de gramáticas e
livros didáticos – entre os quais se encontram também outros entusiastas
da nova ortografia. E não é de espantar que tenham sido justamente
esses – e não os linguistas e filólogos vinculados à universidade – os
que elaboram o texto e os termos do acordo. Nem vale a pena referir mais
uma vez o custo social de tal negócio: treinamento de docentes,
obsolescência súbita de material didático adquirido pelas famílias,
adequação de programas de computador, cursos necessários para aprender
as abstrusas regras do hífen e outras miuçalhas. De meu ponto de vista, o
acordo só interessa a uns poucos e nada à nação brasileira, como um
todo. Já Portugal deu uma prova inequívoca de fraqueza ao se submeter ao
interesse localista brasileiro, apesar da oposição muito forte de
notáveis intelectuais, que, muito mais do que aqui, argumentaram com
brilho contra o texto e os objetivos (ou falta de objetivos legítimos)
do acordo.
[Convém acrescentar que o negócio da Porto Editora também não era lá pouca coisa.]
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Acordo ortográfico,
Língua Portuguesa
05/02/12
"Ode Marítima": declamação e encenação

A seguir, apresentamos uma selecção de declamações e encenações (tanto fílmicas como teatrais) da "Ode marítima" de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa, além do texto da ode e alguma informação adicional.
Se calhar a melhor declamação seja a do actor João Grosso.
Foi editada em disco pela Presença em 1995.
Pode ser ouvida ou através da Fonoteca Municipal de Lisboa ou a partir da lista que apresentamos abaixo (dicar em 'Ler mais').
02/02/12
O Português procede do Galego
No penúltimo número de Grial - Revista Galega de Cultura (191, 2011, 34-39), o linguista e professor da Universidade de Brasília, Marcos Bagno, publicou um artigo que é capaz de se transformar em referência de uma nova perspectiva sobre a história e a actualidade das variantes lusófonas: "O Português não procede do Latim: Uma proposta de classificação das línguas derivadas do galego" (cf. infra). É absolutamente destacável que um linguista brasileiro tome partido de uma ideia que desde há algum tempo deambula pelas margens da linguística, embora ainda haja poucas/os académicos que se atrevem a defendê-la em público: Que a denominação "galego-português" é um anacronismo insustentável que deve ser abolido. A evidência histórica de que as as actuais variantes lusófonas são filhas do galego requer, também, uma reavaliação do debate em torno da Lusofonia (cf. "Galiza e a Lusofonia", 2010).
Porém, para evitar outro anacronismo, Bagno devia ter explicitado que a origem das variantes galega e portuguesas actuais procedem de um 'galego antigo', diferente do actual, mas que, em todo o caso, já tinha sido denominado como 'língua galega' na Idade Média. Tanto o seu resumo claro e conciso das argumentações histórica e linguística, como também a sua proposta de classificação das variantes lusófonas actuais (o grupo "portugalego", como propõe denominá-las, cf. imagem supra) deviam ser tomadas como base do ensino de língua e literatura lusófonas na actualidade. Para ler o artigo dique aqui:
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Língua Portuguesa,
Lusofonia
Fernando Pessoa: Documentários
A seguir apresentamos três documentários e dois depoimentos (de António Quadros e Almada Negreiros) sobre Fernando Pessoa.
Sofia Trigo (2011):
DOCUMENTÁRIO "Pessoas" from Sofia Trigo on Vimeo.
Para ver mais, dique aqui:
Sofia Trigo (2011):
DOCUMENTÁRIO "Pessoas" from Sofia Trigo on Vimeo.
Para ver mais, dique aqui:
26/01/12
Ondjaki: “O drama é vizinho, todos os dias, da alegria”
Na próxima quarta-feira, dia 1 de fevereiro, o escritor angolano Ondjaki visitará a Universidade de Vigo para falar da literatura angolana actual e da sua própria obra. O acto, organizado pelo grupo de investigação GAELT, terá lugar na aula A7 da Faculdade de Filologia e Tradução a partir das 12:00 horas.
Ondjaki é uma das novas vozes angolanas mais divulgadas e traduzidas do momento. Recebeu em 2007 o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco pelo seu livro Os da Minha Rua e, em 2008, o prémio Grinzane para o melhor escritor africano do ano. Em 2010, foi-lhe outorgado o prestigioso prémio brasileiro Jabuti para o seu romance AvóDezanove e o Segredo do Soviético.
Mais informações sobre o autor e sua obra, além de textos de poesia e prosa, podem ser encontradas aqui e aqui. A seguir, encontrarão uma entrevista inédita com Ondjaki, dois vídeos com entrevistas de 2009 e de 2011, além de vários links para estudos académicos e mais material audiovisual.
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Literatura Angolana,
Ondjaki
14/01/12
Osso vaidoso: "Animal"
Osso vaidoso, composto por Ana Deus (ex-Ban) e
Alexandre Soares (ex-GNR), publicaram com Animal um dos mais interessantes CDs portugueses do 2011. Trabalham com textos próprios mas também se apoiam em poesia contemporânea de Regina Guimarães, Alberto Pimenta ("Cola Cola Song" e "Ni nha rias") ou valter hugo mãe ("Poligamia").
Em 1996 a mesma dupla foi responsável pelo histórico álbum de estreia Partes Sensíveis (1993), quando integravam a banda Três Tristes Tigres. Naquele álbum estava o cativante tema “O Mundo A Meus Pés”.
Vídeo da canção "Animal":Animal - Osso Vaidoso from raquel castro on Vimeo.
Versão ao vivo de "Ni nha rias" sobre um texto de Alberto Pimenta:
Mais canções podem ser ouvidas aqui (com letras).
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