08/01/11

Descobrimentos e utopias: A diversidade dos países de língua portuguesa

O IX Congresso de Lusitanistas “Descobrimentos e utopias: A diversidade dos países de fala portuguesa” tem por objectivo apresentar a literatura, a cultura e a língua portuguesas em toda a sua diversidade multifacetada a um amplo e variado público académico. Com uma programação ambiciosa, interdisciplinar e de carácter internacional, quer-se fomentar o debate científico no campo dos Estudos Lusófonos, oferecendo uma plataforma de intercâmbio aberta e transdisciplinar.
Académicas/os dos quatro continentes abrangidos pela Lusofonia terão garantido um ponto de encontro em Viena para analisar métodos, teorias e perspectivas dos estudos lusófonos sob o mote “Descobrimentos e utopias: A diversidade dos países de língua portuguesa”. Este grande evento da língua e cultura portuguesa contará com a participação de mais de 200 especialistas nas diversas disciplinas: linguística, literatura, estudos culturais, comunicação audiovisual e a didáctica do ensino do português.
O conceito da Lusofonia, muito debatido nos países de língua portuguesa, constitui uma questão controvertida e de grande significação, mesmo em Portugal. Para algumas/alguns, a própria ideia da Lusofonia denota mais uma expressão do pensamento hegemónico e neocolonial, enquanto para outras/os representa o principal nexo de união, assentado na língua, de todas as regiões do mundo lusófono.
Será que a língua comum, no entanto, constitui um fundamento suficiente para o estabelecimento de um espaço cultural comum? Não são as diferenças no status, prestígio e prática do idioma acaso muito grandes para falarmos propriamente de uma unidade? Por vezes são tantas as contradições e diferenças internas que os muitos pontos em comum parecem diluir-se; demasiadas limitações e barreiras, tanto políticas quanto mentais, ameaçam, de repente, a própria concepção de uma cultura comum.
Por outro lado, o que seria da cultura portuguesa sem a contribuição de todas as regiões do espaço linguístico lusófono, tanto no passado (os “descobrimentos”), quanto no presente e no futuro (as “utopias”)? Se olharmos tanto para a literatura, quanto para a música, para a diversidade linguística, para o cinema e a televisão, para a imprensa ou para o mundo da tradução, toda a ingente produção estética e cultural em língua portuguesa surge em todas as regiões, as quais falaram e ainda falam o português.
Quem quiser participar com um abstract deve enviar a sua contribuição directamente às/aos coordenadoras/es das secções. As línguas do congresso são o alemão, o português e o galego e o prazo final para o envio das contribuições é o dia 30 de Junho de 2011. Mais informação aqui.

16/12/10

8.ª edição de "Cantos na Maré"


Cantos na Maré, Festival Internacional da Lusofonia na Galiza (coordinado por Uxía), é um projecto cultural pioneiro que já vai na 8.ª edição. Através da língua e da música traça-se um mapa comum entre os territórios da lusofonía que partilham raízes. Terá lugar o sábado 18 de Dezembro às 21:00 horas no auditório do Pazo da Cultura em Pontevedra. Este ano participarão: Lenine (Brasil), Guadi Galego (Galiza), António Zambujo (Portugal) e Aline Frazão (Angola).

10/12/10

90.º aniversário de Clarice Lispector


Hoje há 90 anos (10/XII/1920) nasceu a escritora brasileira, de origem ucraniana, Clarice Lispector. Uma informação biográfica e bibliográfica bastante completa oferece, na actualidade, o Arquivo Clarice Lispector da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Em 1977, ano no que iria falecer, Clarice Lispector ainda concedeu uma última entrevista ao jornalista Junio Lerner, emitida pelo programa "30 Anos Incriveis" da TV Cultura.  Aqui reproduzimos este documento único em cinco partes, junto com outro material audiovisual relacionado com a obra de uma das maiores escritoras brasileiras do século XX: 












Vídeo inspirado no livro Perto Do Coração Selvagem de Clarice Lispector:


CLARICE SELVAGEM from tomribeiropereira on Vimeo.

Trailer do filme A Hora da Estrela (1985, 96 min), baseado no livro homónimo de Clarice Lispector:




Clipe de música do grupo brasileiro Pato Fu (Recife, 2008), baseado no romance A Hora da Estrela de Clarice Lispector, no qual se relata a vida pacata de Macabéa e o drama do escritor Rodrigo S.M., que tenta achar algo interessante e diferente na vida da mulher protagonista:




Encenação teatral do conto “O Ovo e a Galinha” de Clarice Lispector por parte do grupo brasileiro Teatro Para Alguém. O espectáculo, dirigido por Vanessa Bruno e interpretado por Angélica di Paula, foi transmitido ao vivo, via streaming, em 07/10/2010:


O Ovo e a Galinha - de Clarice Lispector from Teatro Para Alguém on Vimeo.

26/11/10

500 anos de Peregrinação

Este ano comemoram-se os 500 anos do nascimento do aventureiro, explorador e mercader português Fernão Mendes Pinto (nasceu, presumivelmente, em 1510) e do seu brilhante relato de viagens, a Peregrinação. A Fundação de Oriente e a Imprensa Nacional-Casa da Moeda editaram uma obra em quatro volumes, resultado do trabalho de uma equipa internacional de especialistas dirigida por Jorge M. dos Santos Alves. O primeiro volume inclui um conjunto de 15 estudos sobre Mendes Pinto e a sua obra; no segundo, publica-se o texto restituído da edição original de 1614 (com acesso através deste blogue); no terceiro, as notas aos 226 capítulos escritas por especialistas em cada uma das temáticas abordadas e, por último, um volume de índices remissivos. Os textos desta obra que se pretende de referência junto da comunidade científica nacional e estrangeira são escritos em inglês, à excepção do volume II. Contudo, tendo em conta o facto de se tratar de um projecto já por si caro e dirigido, além disso, a uma comunidade bibliófila ou académica, não se entende porque os estudos e as notas não se oferecem, também, em língua portuguesa, uma vez que se supõe que o texto de Mendes Pinto pode ser lido nesta língua.

Na página "Autoras/es" deste blogue oferecemos um powerpoint  com uma introdução à vida, obra e recepção de Fernão Mendes Pinto, que faz concorrência com autores quinhentistas mais eruditos do que ele, como seriam, por exemplo, Luís de Camões ou João de Barros, cujas perspectivas relativiza de uma forma absolutamente remarcável.

Como material didáctico também são recomendáveis dois documentários de produção recente. O primeiro foi realizado por Bruno Neves em 2007 para a inauguração do Museu de Oriente:


Documentário Fernão Mendes Pinto: Uma vida em Peregrinação from Nuno Neves on Vimeo.

O segundo foi produzido pela RTP para a sua série "Grandes Livros", narrado por Diogo Infante, e que pretende contribuir para a promoção da leitura das grandes obras da literatura portuguesa:

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5

15/11/10

Chico Buarque obtém Prémio Jabuti

Com Leite Derramado Chico Buarque ganhou o prémio Jabuti de 2010 na categoria "ficção do ano", a mais tradicional e prestigiosa distinção das letras brasileiras. A escolha compensa o segundo lugar obtido na categoria "melhor romance" do mesmo prémio, divulgado já em outubro, quando foi relegado ao segundo lugar por Se Eu Fechar os Olhos Agora, de Edney Silvestre. Vejam as/os restantes premiadas/os aqui e leiam um trecho do romance aqui.

26/10/10

Colonialismo e tabagismo à portuguesa

No sábado passado, a escritora Isabela Figueiredo publicou no seu blogue um excelente post sobre a "Colonização à portuguesa", cuja leitura recomendo vivamente. Não conheço melhor explicação em tão poucas palavras - e acompanhada de um acertado excerto de Mia Couto como exemplificação literária - daquilo que, dentro e fora de Portugal, ainda se continua a vender como um colonialismo mais brando e suave, em comparação com os outros. Enfim, como se Portugal tivesse inventado a mestiçagem de raças e a transferência intercultural. O post da Isabela fez-me lembrar, entre muitas outras coisas, uma marca de cigarros sem filtro que os mais atrevidos fumávamos na adolescência, apesar de ter sido um tabaco realmente ruim. A nossa iniciação no tabagismo à portuguesa guardava involuntárias semelhanças tanto com o colonialismo, como também com a saudade que uma parte da sociedade portuguesa ainda cultiva em relação a este. Sem conhecer ainda a célebre definição da saudade, já postulada por D. Duarte, sentíamos, simultaneamente, "nojo, tristeza e prazer" ao fumar aquilo. Era preciso ter uma grande capacidade de dissimulação e de desenrascanço para fazer crer ao resto da malta que se aguentava e, até, que se gramava o "Português suave"!  Suave na etiqueta, mas afinal sem filtro, essa talvez seria outra micro-definição do 'colonialismo à portuguesa'.