No sábado passado, a escritora Isabela Figueiredo publicou no seu blogue um excelente post sobre a "Colonização à portuguesa", cuja leitura recomendo vivamente. Não conheço melhor explicação em tão poucas palavras - e acompanhada de um acertado excerto de Mia Couto como exemplificação literária - daquilo que, dentro e fora de Portugal, ainda se continua a vender como um colonialismo mais brando e suave, em comparação com os outros. Enfim, como se Portugal tivesse inventado a mestiçagem de raças e a transferência intercultural. O post da Isabela fez-me lembrar, entre muitas outras coisas, uma marca de cigarros sem filtro que os mais atrevidos fumávamos na adolescência, apesar de ter sido um tabaco realmente ruim. A nossa iniciação no tabagismo à portuguesa guardava involuntárias semelhanças tanto com o colonialismo, como também com a saudade que uma parte da sociedade portuguesa ainda cultiva em relação a este. Sem conhecer ainda a célebre definição da saudade, já postulada por D. Duarte, sentíamos, simultaneamente, "nojo, tristeza e prazer" ao fumar aquilo. Era preciso ter uma grande capacidade de dissimulação e de desenrascanço para fazer crer ao resto da malta que se aguentava e, até, que se gramava o "Português suave"! Suave na etiqueta, mas afinal sem filtro, essa talvez seria outra micro-definição do 'colonialismo à portuguesa'.
26/10/10
Colonialismo e tabagismo à portuguesa
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13/10/10
Saramago regressa ao cinema
Saramago continua a dar de falar depois de morto. António Ferreira adaptou o conto "Embargo" da antologia Objecto Quase, de 1984, ao cinema, acrescentando-lhe personagens, histórias e contextos. Embargo, que teve estreia no dia 30 de Setembro, é um exemplo do cinema alternativo em Portugal: Enquanto Ensaio sobre a Cegueira, a última adaptação cinematográfica de obras de Saramago, custou 25 milhões de dólares, para este filme não se gastaram mais do que 200 mil euros. Uma entrevista com o realizador pode ser lida aqui.
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07/10/10
Centenário republicano revisitado
As comemorações do centenário da República Portuguesa, instaurada o 5 de Outubro de 1910, ainda vão marcar tudo o que resta do ano 2010 em Portugal. Tinha sido uma revolução peculiar, na que o principal chefe militar, o almirante Cândido dos Reis, se suicida porque julga a revolução perdida, enquanto um despenseiro da Marinha e carbonário, Machado Santos, vai de eléctrico para a revolução e leva a República à vitória. Numa perspectiva diferenciada, que vai contra a corrente idealizadora da comemoração institucional, o historiador e deputado do Bloco de Esquerda, Fernando Rosas, defende que a República falhou a sua principal missão, a de democratizar o país.
Além da parte reduzida que oferece o seguinte vídeo, a entrevista completa pode ser lida aqui.
Vejam, também, a informação contextual abreviada na página História de Portugal deste blogue.
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Mas também se fazem ouvir as vozes monárquicas e de estrema-direita, não sempre exentas de contradições involuntárias. Desde princípios de Setembro circula, com bastante êxito, um vídeo em youtube que é acompanhado, curiosamente, pela música do grupo de heavy metal alemão Rammstein, frequentemente relacionado com um ideário neo-fascista. Aí, o ímpeto patriótico mordeu-se no rabo.
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27/09/10
Mia Couto adaptado ao cinema
O romance O Último Voo do Flamingo (2000), de Mia Couto, foi adaptado ao cinema por João Ribeiro, numa co-produção internacional (Portugal, Moçambique, Espanha, França e Brasil). A estreia foi há duas semanas em Lisboa. Este é o segundo filme inspirado na obra do autor moçambicano, depois de, em 2007, a realizadora portuguesa Teresa Prata ter adaptado Terra sonâmbula (1992).
A história do filme começa numa pequena localidade do interior de Moçambique onde, alguns meses após o fim da guerra civil, ocorrem cinco explosões de que restam apenas pénis decepados e capacetes azuis. O filme retrata o país dilacerado do início da década de 90, que parece estar entregado à ideia: seremos para sempre escravos, só mudam os senhores. Mas também ganha grande atualidade com a recente revolta popular em Moçambique por causa do preço do pão (mais informação aqui, aqui ou aqui.
A história do filme começa numa pequena localidade do interior de Moçambique onde, alguns meses após o fim da guerra civil, ocorrem cinco explosões de que restam apenas pénis decepados e capacetes azuis. O filme retrata o país dilacerado do início da década de 90, que parece estar entregado à ideia: seremos para sempre escravos, só mudam os senhores. Mas também ganha grande atualidade com a recente revolta popular em Moçambique por causa do preço do pão (mais informação aqui, aqui ou aqui.
15/09/10
Morreu Francisco Ribeiro, fundador dos Madredeus
O músico e compositor Francisco Ribeiro, um dos fundadores dos Madredeus, morreu esta terça-feira, 14 de setembro. O violoncelista trabalhou nos álbuns Os Dias da Madredeus, Existir, O Espírito da Paz e Ainda. Em 1997, abandonou a banda para estudar música em Inglaterra, onde se licenciou em Composição.
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02/09/10
Língua: Alunos de português já são mais que os de francês nas escolas de idiomas da Extremadura
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02/07/10
Morreu José Saramago
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